Imagens
O nome que leva a Comunidade
Rafael Soares - Uma promessa para o
Atletismo Brasileiro
Cada um esperando a sua vez na
corrida
Fran e o filho Kauê, que leva o
nome da Associação
A última conversa com os "Atletas"
Um final de semana agitado,
com 350 atrações culturais dentro da maior capital da América
latina. A cidade de São Paulo sempre respirou cultura e neste
final de semana mais ainda. Entre ás 18:00 h do dia 5 de Maio,
até as 18:00 h do dia seguinte, aconteceu a
Virada Cultural
na capital paulistana.
O evento, que a cada ano se torna um marco de grande prestígio
na capital, é mostrado com grande entusiasmo pelos diversos
moradores e turistas, que na mesma época, passam pela cidade.
Sob diversos aspectos a metrópole mostrou porque ficou tão
enriquecida por eventos dos mais variados tipos. Os musicais, as
danças, teatro e grandes artistas, passaram por São Paulo.
Entre tanta agitação efervescente que a mega-cidade presenciou,
um lugar passou desapercebido.
Corre Kauê....
?Se Jesus está comigo, comigo Jesus está, se Jesus está comigo,
contra mim ninguém será. Um por todos, todos por um?. Foi
exatamente assim, que os 23 atletas mirins da
Associação
Esportiva e Cultural Kauê Itaquerense iniciou seu ?grito de
guerra? e começou o respectivo aquecimento, antes do início da
27º Corrida do Parque da Aclimação, localizado no centro de São
Paulo.
A associação, que mantém em seu projeto 45 crianças, dos 4 anos
até os 20 anos de idade, tem por finalidade instigar a prática
esportiva das crianças da comunidade e formar pessoas mais aptas
para um convívio dentro da sociedade.
A 27º corrida do Parque da Aclimação, ocorreu no mês de maio e
reuniu mais de 300 atletas mirins na modalidade atletismo. Os
atletas, entre 6 e 14 anos de idade percorriam em sua bateria
(modalidade e idade).
As modalidades das corridas eram divididas pelas respectivas
idades. No final da prova, as crianças eram presenteadas com um
lanche e um refrigerante.
Segundo o pintor, Sidclei Pinto Pereira Ferreira de 30 anos, que participa há 2
anos da Associação, seu filho, Julio César de 6 anos, melhorou
muito sua comunicação com as outras crianças ?Ele era muito
quieto, e para ele era um problema conversar e brincar com
outras crianças e por meio do esporte e do projeto, o Julio
melhorou muito esta parte? ? comenta o pai.
Uma outra grata surpresa dentro do corpo de atletas da
associação é Rafael Soares, que é o atual campeão estadual na
categoria 13/14 anos, e no meio de tantos inexperientes, logo se
destaca. Rafael é uma grande promessa para o atletismo nacional
nos próximos anos e reconhece o quanto à importância da
Associação para ele. ?Eu poderia ter escolhido o caminho errado,
como muitas crianças que não tem oportunidade e acabam sendo
influenciadas por outras coisas?.
Em entrevista concedida entre uma bateria e outra, Francisco
Carlos da Silva, presidente da AEC Kauê Itaquerense, o Fran como
é conhecido na comunidade, nos conta histórias sobre o projeto.
Higor
Como é feito o trabalho psicológico com as crianças da
comunidade ?
Fran ? O esporte é o caminho mais curto para a ascensão
do atleta. Uso exemplos de pessoas carentes que venceram na vida
e de pessoas da comunidade que hoje são exemplo para eles.
Sabemos que todos passam por dificuldades em casa, tanto
financeiras como até mesmo psicológica dos pais e nos preparamos
para isso quando as crianças estão treinando conosco ou estão
por perto.
Higor
Aonde e quando são realizados os treinos das crianças da
Associação ?
Fran ? São feitos na rua onde é a nossa sede. Tentamos
fazer o máximo possível de treinos, geralmente são 3 na semana,
principalmente para não deixar as crianças soltas, próximas de
coisas que não prestam por aí.
Higor
Quais são as grandes dificuldades enfrentadas hoje em
dia pelo Kauê Itaquerense ?
Fran ? Como em qualquer periferia, o nosso problema
também é o mesmo. Não temos patrocinadores e todo custo vem do
nosso bolso, muitas vezes os pais das crianças não têm condições
de ajudar e a gente faz o que pode. A falta de infraestrutura na
região instiga a comunidade a ajudar como pode. Nós fazemos
rifas, bingos e outras coisas para arrecadar dinheiro para
participar das competições. E, na medida do possível, vamos
participando e enfrentando as dificuldades do dia-a-dia.
Higor
Nos dias atuais, dá para viver só do atletismo ?
Fran ? Primeiramente, você tem de trabalhar as provas
de municípios, provas festivas e as menos conhecidas, estas que
os atletas de porte nacional não competem. Elas tem prêmios
razoáveis que dá para ir se mantendo no esporte e sobrevivendo.
Se você for um bom corredor, um atleta que realmente se dedique,
com certeza dá para viver do atletismo, mas não pense que irá
ficar rico, pois somos um esporte muito mal remunerado e
lembrado pelos patrocinadores.
Histórico da Associação: A A.E.C - Kauê
Itaquerense foi criada em uma homenagem ao filho do Presidente
da entidade Francisco Carlos da Silva. Como todo time de futebol
amador cercado de amigos da mesma rua e no bairro que sempre
jogavam aos finais de semana, faltava ainda arrumar um nome para
formar uma equipe competitiva. E em virtude do nascimento do
Kauê, é que foi dado o nome a entidade.
Criada no dia 3 de abril de 1998, a entidade tem em sua sede
vários troféus conquistados ao longo dos nove anos de
existência, e foram incorporando em sua estrutura outras
modalidades de esporte. Além do futsal, que até naquele momento
era o que mais tinha prestígio da comunidade. Mas, foi no
atletismo que ganharam mais atenção de outras associações e de
amigos da região. E, é do atletismo que surgiu a formação de
crianças e jovens da comunidade para o esporte.
Atualmente fazem parte das competições só atletas mirins, em que
o mais importante para a entidade é a formação dessas crianças
com uma estrutura e condição melhor de enfrentar os desafios da
vida.
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